Não conseguia olhar nos olhos, nem mesmo pelo reflexo do espelho. Sentia que se cruzassem o olhar seria fácil demais perceber que o brilho mudou de foco, e ficaria absurdamente constragida tentanto explicar, e gaguejaria, e coçaria a cabeça como de costume nessas horas.
O tempo era infinito, e o frio congelava o fogo da lareira, sem saber que bem não fazia tantos pelos arrepiados e nenhuma palavra bonita a se dizer, a não ser que lamentava muito.
Tinha uma janela, com a lua atravessando sua ponta. Janelas sempre são boas companheiras ao esfregar a nuca freneticamente.
Postou-se de forma que sua sombra parecesse menor que o natural, para não levantar suspeitas sobre seu medo e suas palavras.
Foi difícil admitir, mas a noite toda se fez uma frase:
- Sou mais gelada que esse vento.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
- só me acorde quando o sol tiver queimando -
Podemos sortear cama ou rede, porque o chão é inimigo das minhas costelas. Mas aquelas pessoas trocam tudo por um par de desconforto, como quando amanheceram encostados no sol, todos com jeito de quem não liga a mínima para o café da manhã.
É mesmo simples trocar moedas de ouro em mentiras descaradas, em rodas que mais vale um piscado ou aquela cara de sabotagem, alertando pro porteiro lá embaixo que hoje a gente dorme por aqui, guardando em potes secretos doses homeopáticas de felicidade.
É mesmo simples trocar moedas de ouro em mentiras descaradas, em rodas que mais vale um piscado ou aquela cara de sabotagem, alertando pro porteiro lá embaixo que hoje a gente dorme por aqui, guardando em potes secretos doses homeopáticas de felicidade.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
os não-vocês
Aquilo tudo tinha cheiro de mentira.
O menino fingindo alegria e a música sem graça saindo da vitrola velha.
Ela de pernas cruzadas feito moça.
Ele virou o rosto e o sorriso ainda estava lá nas costas.
A menina com o cabelo arrumado e muito séria, sempre com as mãos repousadas no joelho, esperando algo acontecer.
Aquilo tudo tinha cheiro de mentira.
O menino que parecia bêbado e feliz foi embora.
A menina séria e sóbria ficou.
Aquilo tudo tinha cheiro de mentira.
Ela jogou as pernas para cima da cadeira e acendeu um cigarro, meio tonta deixou o cabelo sentir o vento, sorrindo puxou a fumaça pra dentro.
E ele que nada tinha bebido só chorou no quarto sozinho.
Aquilo tinha mesmo cheiro de mentira.
O menino fingindo alegria e a música sem graça saindo da vitrola velha.
Ela de pernas cruzadas feito moça.
Ele virou o rosto e o sorriso ainda estava lá nas costas.
A menina com o cabelo arrumado e muito séria, sempre com as mãos repousadas no joelho, esperando algo acontecer.
Aquilo tudo tinha cheiro de mentira.
O menino que parecia bêbado e feliz foi embora.
A menina séria e sóbria ficou.
Aquilo tudo tinha cheiro de mentira.
Ela jogou as pernas para cima da cadeira e acendeu um cigarro, meio tonta deixou o cabelo sentir o vento, sorrindo puxou a fumaça pra dentro.
E ele que nada tinha bebido só chorou no quarto sozinho.
Aquilo tinha mesmo cheiro de mentira.
.deixa eu querer.
As pessoas têm medo de sonhar, sabia?
E odeiam quem se propõe a isso...
Medo de tirar os pés do chão, de pensar que o mundo é bem maior que tudo.
Medo de poder e de se permitir, quebrando redomas, rompendo barreiras e subindo pela escada que dá nas nuvens.
São tolos. Meu irmão diria que esses sim, são uns grandes 'felasdaputa'. E o seu Zé completaria: "Cês são pequenos ó mulekes".
rá, agora olha a cara de preocupada que eu aprendi a fazer...
E odeiam quem se propõe a isso...
Medo de tirar os pés do chão, de pensar que o mundo é bem maior que tudo.
Medo de poder e de se permitir, quebrando redomas, rompendo barreiras e subindo pela escada que dá nas nuvens.
São tolos. Meu irmão diria que esses sim, são uns grandes 'felasdaputa'. E o seu Zé completaria: "Cês são pequenos ó mulekes".
rá, agora olha a cara de preocupada que eu aprendi a fazer...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Hoje de manhã
As coisas emocionantes da minha vida sempre acontecem na hora errada.
Ouvi um converseiro danado na sala de casa, mas o sono das 10 da manhã estava tão bom que não dei importância pro barulho que veio seguido do "foguete" um pouco distante.
Mais tarde, quando acordo, fico sabendo de toda a confusão. Que o "foguete" era um tiro há 3 metros da minha casa, e uns bandidos fugiram pulando de casa em casa, achando por bem visitar todos os meus visinhos. Aquele converseiro sem fim eram as pessoas que passavam pela rua e fizeram da minha humilde residência um abrigo.
Ahh ta, um policial revista minha casa toda atrás de bandidos armados e ninguém me avisa.Um filme de ação acontecendo e eu lá, sonhando com planilhas do excel
dorme Bino, era uma cilada!
Ouvi um converseiro danado na sala de casa, mas o sono das 10 da manhã estava tão bom que não dei importância pro barulho que veio seguido do "foguete" um pouco distante.
Mais tarde, quando acordo, fico sabendo de toda a confusão. Que o "foguete" era um tiro há 3 metros da minha casa, e uns bandidos fugiram pulando de casa em casa, achando por bem visitar todos os meus visinhos. Aquele converseiro sem fim eram as pessoas que passavam pela rua e fizeram da minha humilde residência um abrigo.
Ahh ta, um policial revista minha casa toda atrás de bandidos armados e ninguém me avisa.Um filme de ação acontecendo e eu lá, sonhando com planilhas do excel
dorme Bino, era uma cilada!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
- chefe -
Nosso dia dos pais foi um fracasso. Aquela galinha caipira tinha 4 pés e nada de carne, meu tio ta mesmo insuportavelmente chato, e o vovô então...
Mas meu pai salva tudo, parece uma criança. Marilia disse pra eu ter paciência porque ele ainda é pequeno, e é mesmo.
- Tenho pra mim que vou viver mais de 100 anos.
- Tomara, pai.
- Bata uma carta alí na máquina, Larissa.
- Pra quem?
- Pra morte. Diga a ela que vou me atrasar por causa da cerveja e de você.
- Também te amo.
- Deixe de besteira e beba essa última comigo.
Mas meu pai salva tudo, parece uma criança. Marilia disse pra eu ter paciência porque ele ainda é pequeno, e é mesmo.
- Tenho pra mim que vou viver mais de 100 anos.
- Tomara, pai.
- Bata uma carta alí na máquina, Larissa.
- Pra quem?
- Pra morte. Diga a ela que vou me atrasar por causa da cerveja e de você.
- Também te amo.
- Deixe de besteira e beba essa última comigo.
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